ND do Pântano do Sul

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A LUTA PELO PARQUE CONTINUA!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Aliança do Sul pela natureza- Plano Diretor Participativo 2012

Membros do ND Pântano do Sul estiveram presentes na segunda-feira, dia 19, na reunião do ND Campeche 


http://floripaquermais.com.br/?p=2945 

Núcleos Distritais repudiam Plano Diretor Proposto Pela PMF

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A proposta do Plano Diretor a ser divulgado pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, elaborado pela da Fundação CEPA, ( Centro de Estudos e Projetos do Ambiente ) no dia 27 de março no clube 12 de agosto, é repudiada por núcleos distritais, que se reuniram nesta segunda feira, dia 19 no clube Catalina (Campeche). Propôs-se um rompimento incondicional com o Núcleo Gestor Municipal.
Os motivos, segundo apurou o portal  Floripa Quer Mais são:   
- O descontentamento pela usurpação da confiança dos  Núcleos Distritais – apresentação de um plano diretor  conhecido  e  rejeitado desde 2008 – e a inexplicável inexistência do mapa Geo-referenciado  ( mapa de condicionantes ambientais) – substituído por uma evasiva demarcação das áreas, em especial às planícies do Campeche ( foco da maior e mais ávida especulação imobiliária de nosso tempo)
“ O Plano Diretor Participativo que é apregoado pela prefeitura, em nada tem de participativo , revela Ataide Silva,  Pres. da  AMOCAM  – Associação de Moradores do Campeche.
A opinião de que o Núcleo de Gestão Ambiental vem sendo maliciosamente desrespeitada, foi defendida pelo Prof. Raul Burgos do Instituto Ambiental do Campeche. E que o Plano Diretor a ser apresentado, não representa o desejo da população e das entidades ali representadas.

Em articulação com o Presidente do Núcleo Gestor Distrital  do Pântano do Sul, estuda-se a forma de como se instigará o Ministério Público Federal na figura dos procuradores da República, Analucia Hartmann e Eduardo Barragan Motta,  responsáveis pelo Sul da ilha – na saída das negociações, impugnando assim seu lançamento e divulgação.
Sob o paradigma do crescimento acelerado, quer vêr-se assentar 400.000 pessoas, atropelando leis ambientais, sufocando a voz da população e até as diretrizes preconizadas pelo SINDUSCOM.
A aprovação a “toque de caixa” do Projeto Orla ( Decreto Presidencial nº 5.300/04) regulamenta a lei nº 7661/88, vai transformar o Campeche numa “Balneário de Camboriú”, com seus prédios de nove andares…criando-se uma vasta área de  sombra, sob uma penumbra vespertina e sem sustentabilidade.
O projeto é predador segundo o Gert Schinke, Presidente do NGDPS, enquanto questionou-se sua inconstitucionalidade, já que não conta com a anuência do Núcleo Gestor – o que invalidaria por si só a audiência pública – maculado por  ocultação de um mapa de condicionantes ambientais. – fundamentais para a ilha.
Fica  sucinto na percepção, um acordo entre paredes, um cenário parecendo montado pela prefeitura ( sob a “griffe” biosfera urbana) ,  que não é o plano da comunidade ou o que a mesma deseja. Um prato indigesto a se digerir a seco, sem poder de revide,  seguindo para a câmara, como é sua expectativa.
Apesar de não deliberativa, com a apresentação do plano, surgem temores fundamentados  nas tentativas persuasivas e retóricas por parte do Prof. Fernando Ponte de Souza e Rodolfo Pinto da Luz – Secretário Municipal da Educação, desrespeitando o papel fiscalizador e  fiador do Núcleo Gestor Municipal.
É importante ressaltar que a participação do Núcleo Gestor Municipal, foi delegado tão somente por força da lei, e nunca espontaneamente aceita pelo Executivo (sobremaneira  usando a sociedade ingenuamente  leiga ).
Os ânimos ficaram ainda mais acirrados quando remeteu-se a idéia, a tentativa que se impõe, na construção dos emissários submarinos da Joaquina e  Campeche, da criação do PACUCA – Parque Cultural do Campeche- (contrapartida especulativa), da inapropriada utilização do aqüífero do Campeche, de um suposto uso da máquina estatal no pleito que se aproxima e a centralização das decisões.
  Da redação do Floripa Quer Mais – Fotos Márcio Papa

quarta-feira, 21 de março de 2012

Discussão do Plano Diretor volta para calendário da Prefeitura em Florianópolis- publicado no DC

É de suma importância enfatizar que o Plano que a prefeitura pretende apresentar  no dia 27 no Clube XII, É O PLANO DA PREFEITURA E NÃO RETRATA AS DELIBERAÇÕES DAS COMUNIDADES!!!

Discussão do Plano Diretor volta para calendário da Prefeitura em Florianópolis

Planejamento urbano17/03/2012 | 13h11 Diário Catarinense

Conforme cronograma, projeto chegaria à Câmara Municipal no final de junho

Discussão do Plano Diretor volta para calendário da Prefeitura em Florianópolis Charles Guerra/Agencia RBS
Receios das comunidades é que se agilize discussões nos bairros e Plano fique parado na CâmaraFoto: Charles Guerra / Agencia RBS
Iniciado em 2006, rejeitado em 2010 pela população e adormecido por dois anos, o Plano Diretor de Florianópolis voltou a ser discutido neste ano. Pelo calendário apresentado pela prefeitura, o projeto, que vai regrar e ordenar o crescimento da cidade para os próximos 10 anos, chegaria à Câmara Municipal no final de junho. As comunidades não gostaram, porque temem o atropelo do processo participativo para fins eleitorais. Ainda que o cronograma não sofra atrasos, corre-se o risco de a votação ficar apenas para o ano que vem.

Por ser um assunto complexo, o documento de 400 páginas e mais de 370 artigos, que vem com mapas e tabelas, segue um calendário especial na Câmara e não pode ser votado em regime de urgência. Além disso, há dois agravantes: o recesso de 15 dias em julho e as eleições municipais, que devem atrasar o processo. 

Um dos receios das comunidades é que se agilize as discussões dentro dos bairros e o Plano fique parado na Câmara. Dos 13 representantes distritais, que integram o núcleo gestor Municipal — responsável por garantir a participação popular — 12 foram ouvidos e todos consideraram o calendário apertado.
A primeira apresentação do Plano Diretor aos moradores será feita no próximo dia 27, no Clube 12 de Agosto, no Centro da Capital. Os debates regionais começam a partir de maio, em 13 audiências públicas distritais, uma para cada região. Elas são uma oportunidade para a população expor o que deseja ou não para a Florianópolis.
— Cada uma dessas reuniões vai gerar um conjunto de recomendações e supressões do texto do Plano Diretor. Não adianta acelerarmos e não darmos chance para a população discutir, e quando chegar à Câmara ficar engavetado por causa das eleições — ressalta o representante distrital de Ratones, Flavio De Mori.
O representante do Pântano do Sul, Gert Schinke, levanta ainda a necessidade de se ter que desdobrar uma audiência pública em mais de um encontro:
— O Plano é uma imensidão. Sempre surgem os conflitos, principalmente onde há interesses imobiliários. É impossível esgotar a discussão em horas — alerta o representante do Pântano do Sul, Gert Schinke.

Alteração do Plano Diretor será feita em audiência final
Depois desta etapa, vem a audiência pública final, que deve ser feita em junho. É nela que o Plano Diretor será alterado com as sugestões levantadas pelas comunidades.
— Alguns representantes gostariam que as audiências distritais fossem deliberativas, mas isso causaria divergência. Ainda que um distrito diga que não quer algo, isso pode ter interferência na cidade toda. As audiências distritais são mais para identificar as divergências, que iriam para a audiência final. Essa sim seria decisiva, porque teria representações de toda a cidade — explica o coordenador do núcleo gestor municipal, e representante da prefeitura, Rodolfo Pinto da Luz.
Estas questões ainda têm sido discutidas dentro do núcleo gestor, que vai definir as regras para todas as audiências. O coordenador ainda admite que o cronograma ficou apertado.
— Realmente é limitado, mas os tempos são sempre limitados. Ainda tem a Câmara para fazer mais uma discussão. Se ficarmos discutindo interminavelmente o Plano nunca será encaminhado — finaliza.

 O que você acha que deveria ser feito para melhorar Floripa?

:: Os caminhos na Câmara
— Ele não segue uma tramitação normal e não pode ser votada em regime de urgência.

— O projeto será analisado por três comissões: Constituição e Justiça, de Meio Ambiente, e de Viação, Obras Públicas e Urbanismo, também chamada de Mérito.

— Cada comissão têm 30 dias para analisar a matéria, sendo o prazo prorrogável pelo tempo que a comissão julgar necessário.

— A Câmara também precisa garantir a participação popular, por isso serão organizadas audiências públicas com a população. Geralmente, quem faz isso é a Comissão de Mérito, mas nada impede as outras de também marcarem as audiências.

— Depois de receber os pareceres das comissões, o plano vai à votação em plenária. Ele é votado em dois turnos, sendo que entre cada um deles, é necessário um intervalo de 30 dias. Para ele ser aceito, é preciso ter aceitação de dois terços dos vereadores.

— Há ainda a redação final, que também vai para votação.

—  Segue, então, para a sanção do prefeito e depois para a publicação no Diário Oficial do município.

— O plano tem até o dia 20 de dezembro para a última votação — um dia antes do recesso.

— O Plano Diretor de 1997, sancionado pela então prefeita Ângela Amin, levou sete anos para ser votado, porque pegou uma troca de gestão.
Fonte: Antônio José da Silva, representante da Diretoria Legislativa

:: 
Para participar
27 de março: audiência pública para apresentar o plano diretor em linhas gerais. A exposição será feita por técnicos da prefeitura, no Clube 12 de Agosto, no Centro.
28 a 29 de março e 2 a 6 de abril - apresentação do plano por quatro temas setoriais: modelo de cidade e gestão, zoneamento ambiental e paisagem urbana, mobilidade, uso e ocupação do solo e instrumentos. Sem local definido
A partir da primeira semana de maio - 13 audiências distritais sendo três por semana e uma por distrito. Sem locais definidos.
Ao final da última audiência distrital um espaço de 15 a 30 dias para a audiência final - aberto à população, mas quem delibera serão as representações da cidade. Ainda não se sabe por quem elas serão formadas.
Final de junho vai para Câmara de Vereadores

segunda-feira, 5 de março de 2012

REUNIÃO DO ND PÂNTANO DO SUL

Olá a todos!
É com muito prazer e com muito gás, que convidamos a todos a participar de nossa próxima reunião... em ritmo de comemoração!
Não somente contando com apoio à criação do nosso parque no Congresso da Cidade, mas também com apoio do MPF segundo RECOMENDAÇÃO POSTADA ABAIXO.
Seguimos agora rumo aos preparativos das fases seguintes do PDP com Audiências Públicas...
Contamos com vcs !
DATA: 7 de março, quarta-feira
HORA: 20h
LOCAL: auditório da EBM Dilma Lúcia dos Santos, na Armação
PAUTA provisória: recomendação do MPF-SC e NGM-PDP, parque natural, outros

quinta-feira, 1 de março de 2012

Plano Diretor: MPF alerta sobre áreas de preservação permanente (Florianópolis)

Recomendação é encaminhada ao IPUF, ao Núcleo Gestor do Plano Diretor Participativo, ao Ibama, à Fatma e à Floram

O Ministério Público Federal em Santa Catarina encaminhou Recomendação ao Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e ao Núcleo Gestor do Plano Participativo, para que na elaboração do "Mapa das Condicionantes Ambientais" doPlano Diretor seja respeitada a legislação federal específica.
O documento, assinado pelos procuradores da República Analúcia Hartmann e Eduardo Barragan da Motta, foi elaborado no momento da retomada dos trabalhos deelaboração do anteprojeto do Plano Diretor da capital. O MPF - que acompanha,desde 2007, a tramitação da proposta de alteração da lei municipal sobre o Plano Diretor Participativo - quer ter acesso mensal dos trabalhos realizados pelo núcleo Gestor, além de relatório que comprove o cumprimento das medidas.
Conforme os procuradores, a proposta anterior foi rechaçada pelas comunidades locais por não atender às limitações impostas pelos zoneamentos ambientais, e "especialmente, por desconsiderar a necessidade da efetiva participação da sociedade civil nas etapas de sua discussão", conforme previsto em lei.
No documento, os procuradores da República apontam especificidades que devem ser respeitadas no planejamento, como a questão das dunas de Ingleses e Santinho ou as áreas alagadiças do Pântano do Sul. Em relação às dunas do norte da Ilha, o MPFressalta que são locais onde há depósitos de água potável, essenciais àquela região, por isso são áreas non aedificandi, que devem ser protegidas. No que se refere ao Pântano do Sul, o MPF encaminhou a Recomendação ao Ibama/SC, à Fatma e à Floram para que se respeite as presença das APP's nos procedimentos de fiscalização e licenciamento ambientais.
A intenção do MPF é para que se atente às características naturais da zona costeira da capital. Para tal, os órgãos públicos licenciadores, ao autorizarem parcelamento edesmembramento do solo, construção, instalação, funcionamento de atividades que alterem estas características devem respeitar as diretrizes da Lei 7.661/68, quedefine o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro. Além da legislação ambiental brasileira, o ordenamento territorial urbano também deve adotar como parâmetro outra lei federal, a Lei 10.257/01, mais conhecida como Estatuto das Cidades, que prevê a plena participação da sociedade na elaboração do Plano Diretor.
A preocupação dos procuradores da República, é que, em Florianópolis, os interesses comerciais e a especulação imobiliária têm vencido a queda de braço em relação aos valores culturais e ambientais presentes na Ilha de Santa Catarina.
O MPF estipulou o prazo de 15 dias para que sejam informadas as medidas adotadas para o cumprimento da presente Recomendação.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A AGONIA DO PDP FÊNIX

Ressuscitado o Núcleo Gestor Municipal – NGM, em agosto de 2011, o “PDP fênix” já logo de início enfrenta sérias dificuldades para engrenar. Até o fim de 2011 nada se conseguiu aprovar de concreto no âmbito do NGM.
Virada do ano, muita festa para a construção que deitou e rolou durante dois anos em ver atrasado algum plano que viesse a, pelo menos, disciplinar um pouco a farra de licenciamentos criminosos que estão deformando nossa cidade, agora em fevereiro retomaram-se os trabalhos do NGM. Mas a primeira reunião já fez água quando a PMF chamou quorum regimental pontualmente às 19h. Ao constatar a falta de quorum, implodiu com a primeira reunião do ano que estava programada para o dia 02 de fevereiro. Com isso, perderam-se outros preciosos quinze dias no NGM.
A última, realizada neste dia 16 de fevereiro, quinta-feira, alcançou quorum e deliberou sobre um roteiro apresentado pela PMF para toda a finalização do processo, no qual não haveria Audiências Distritais, além de concentrar tudo em apenas três meses, estabelecendo uma data fajuta de 31.05 para a entrega do projeto final ao Prefeito.


Em combinação com outras lideranças distritais e de segmentos sociais ligados à “bancada popular” atuante no NGM, o Núcleo Gestor Distrital do Pântano do Sul, que represento nesse colegiado municipal, trabalhou para conseguir incluir as Audiências Distritais e expandir o prazo final para entrega do PDP para julho, o que, na prática, significa agosto ou setembro, provavelmente. Com essa vitória do movimento popular conseguimos retomar o processo em base minimamente participativa.
Foi uma grande vitória em meio a uma encarniçada guerra na qual a forte pressão por parte do setor da construção se comina perversamente com os interesses políticos que surgem em pleno ano eleitoral. E nós todos sabemos como funciona a dinâmica do processo eleitoral no país, palanque para todo tipo de oportunista, de demagogo, de palhaço que se aproveito do momento para tentar levar algum votinho. Pelo menos diante do povo presente nas audiências que já discutiu em todo o processo anterior, a demagogia e proselitismo se tornam mais difíceis e a chance de garantir mais demandas populares e ecológicas no texto final também aumenta.
A diferença da proposta da PMF original e a que conseguimos aprovar na reunião do NGM do dia 16.02, é que a primeira faria o processo “a frio”, evitando ampla participação popular, enquanto a aprovada, fará o processo “a quente”, pois garante maior participação popular, atendendo ao espírito do Estatuto da Cidade. Como diz o ditado gaúcho: “de gaita fechada não sai som algum”, e, por isso mesmo, temos que abrir a gaita do processo para que se escute o som do povo, com transparência, com democracia, com legitimidade. No entanto, a fênix ainda agoniza.

CR ALMEIDA- DENÚNCIA DE GRILAGEM


Esta é a CR Almeida... é... aquela que diz ser proprietária de terras da planície do Distrito do Pântano do Sul ( sabe Deus como e a a que custo!)... Nossa adversária na briga pelo Parque Natural do Pântano do Sul.
O caso CR Almeida x jornalista  Lucio Flavio Pinto dispensa maiores explicações. 


Após denunciar caso de grilagem, jornalista é condenado a pagar indenização por danos morais

Publicado em fevereiro 17, 2012 por 
Após denunciar em seu “Jornal Pessoal” a grilagem de terras praticadas pelo empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida, o jornalista Lucio Flávio Pinto foi condenado pela justiça a pagar uma indenização de 8 mil reais por “ofensa moral” ao empresário.
A informação é do sítio Amazônia.org.br, 15-02-2022.
Segundo reportagem de 1999, feita pelo jornalista paraense, a construtora C. R. Almeida, uma das maiores do país, se apropriou de quase cinco milhões de hectares de terras no vale no rio Xingu, no Pará. A justiça federal de 1ª instância anulou os registros imobiliários dessas terras, por pertencerem ao patrimônio público e a Polícia Federal comprovou o crime, mas não prendeu o responsável pela empresa que faleceu em 2008.
Após ação aberta pelo empresário, por dano moral, o jornalista teve seus dois recursos especiais negados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) . O STJ alegou que não recebeu o recurso do jornalista “em razão da deficiente formação do instrumento; falta cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante de pagamento das custas do recurso especial e do porte de remessa e retorno dos autos”.
Em nota, divulgada em seu site, o jornalista afirma que continua a crer em muito dos integrantes da justiça do Pará, mas não “na estrutura de poder que nela funciona, conivente com a espoliação do patrimônio púbico por particulares como o voraz pirata fundiário Cecílio do Rego Almeida”, e sendo assim, deixará de recorrer da decisão.
Doações
Para ajudar o jornalista a indenizar o grileiro, foi criado um fundo para a arrecadação de doações. Quem quiser ajudar pode depositar qualquer quantia na conta 22.108-2 da agência 3024-4 do Banco do Brasil, em nome de Pedro Carlos de Faria Pinto. Irmão de Lúcio Flávio Pinto que irá ajudar a administrar o caso.
Confira abaixo a nota da integra do jornalista Lúcio Flávio Pinto:
NOTA AO PÚBLICO – CONTRA A INJUSTIÇA
No dia 7 o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler, decidiu negar seguimento ao recurso especial que interpus contra decisão da justiça do Pará. Nos dois graus de jurisdição (no juízo singular e no tribunal), o judiciário paraense me condenou a indenizar o empresário Cecílio do Rego Almeida por dano moral.
O dono da Construtora C. R. Almeida, uma das maiores empreiteiras do país, se disse ofendido porque o chamei de “pirata fundiário”, embora ele tenha se apossado de uma área de quase cinco milhões de hectares no vale do rio Xingu, no Pará. A justiça federal de 1ª instância anulou os registros imobiliários dessas terras, por pertencerem ao patrimônio público.
O presidente do STJ não recebeu meu recurso “em razão da deficiente formação do instrumento; falta cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante de pagamento das custas do recurso especial e do porte de remessa e retorno dos autos”. Ou seja: o agravo de instrumento não foi recebido na instância superior por falhas formais na juntada dos documentos que teriam que acompanhar o recurso especial.
O despacho foi publicado no Diário Oficial eletrônico do STJ no dia 13. A partir daí eu teria prazo de 15 dias para entrar com um recurso contra o ato do ministro. Ou então através de uma ação rescisória. O artigo 458 do Código de Processo Civil a prevê nos seguintes casos: “Se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; ofender a coisa julgada; violar literal disposição de lei; se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória; depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de Ihe assegurar pronunciamento favorável; houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença; fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa”.
Como o ministro do STJ negou seguimento ao agravo, a corte não pode apreciar o mérito do recurso especial. A única sentença de mérito foi a anterior, do Tribunal de Justiça do Estado, que confirmou minha condenação, imposta pelo juiz substituto (não o titular, portanto, que exerceu a jurisdição por um único dia) de uma das varas cíveis do fórum de Belém. Com a ação, o processo seria reapreciado.
Advogados que consultei me recomendaram esse caminho, muito trilhado em tais circunstâncias. Mas eu teria que me submeter outra vez a um tribunal no qual não tenho mais fé alguma. É certo que nele labutam magistrados e funcionários honestos, sérios e competentes. Também é fato que alguns dos magistrados que agiram de má fé contra mim já foram aposentados, com direito a um fare niente bem remunerado – e ao qual não fizeram jus.
Mas também é verdade que, na linha de frente e agindo poderosamente nos bastidores, um grupo de personagens (para não reduzi-lo a uma única figura fundamental) continua disposto a manter a condenação, alcançada a tanto custo, depois de uma resistência extensa e intensa da minha parte.
Esse grupo (e, sobretudo, esse líder) tem conseguido se impor aos demais de várias maneiras, ora pela concessão de prêmios e privilégios ora pela pressão e coação. Seu objetivo é me destruir. Tive a audácia de contrariar seus propósitos e denunciar algumas de suas manobras, como continuo a fazer, inclusive na edição do meu Jornal Pessoal que irá amanhã às ruas.
A matéria de capa denuncia a promoção ao desembargo de uma juíza, Vera Souza, que, com o concurso de uma já desembargadora, Marneide Merabet, ia possibilitar que uma quadrilha de fraudadores roubasse 2,3 bilhões de reais da agência central de Belém do Banco do Brasil.
A mesma quadrilha tentou, sem sucesso, aplicar o golpe em Maceió, Florianópolis e Brasília. Foi rechaçada pelas justiças locais. Em Belém encontrou abrigo certo. Afinal, também não foi promovida ao topo da carreira uma juíza, Maria Edwiges de Miranda Lobato, que mandou soltar o maior traficante de drogas do Norte e Nordeste do país. O ato foi revisto, mas a polícia não conseguiu mais colocar as mãos no bandido e no seu guarda-costas. Punida com mera nota de censura reservada, a magistrada logo em seguida subiu ao tribunal.
Foi esse o tribunal que teve todas as oportunidades de reformar a iníqua, imoral e ilegal sentença dada contra mim por um juiz que só atuou na vara por um dia, só mandou buscar um processo (o meu), processo esse que não estava pronto para ser sentenciado (nem todo numerado se achava), levou os autos por sua casa no fim de semana e só o devolveu na terça-feira, sem se importar com o fato de que a titular da vara (que ainda apreciava a questão) havia retornado na véspera, deixando-o sem autoridade jurisdicional sobre o feito. Para camuflar a fraude, datou sua sentença, de quatro laudas, em um processo com mais de 400 folhas, com data retroativa à sexta-feira, quatro dias antes. Mas não pôde modificar o registro do computador, que comprovou a manobra.
De posse de todos os documentos atestando os fatos, pedi à Corregedoria de Justiça a instauração de inquérito contra o juiz Amílcar Bezerra. A relatora, desembargadora Carmencim Cavalcante, acolheu meu pedido. Mas seus pares do Conselho da Magistratura o rejeitaram. Eis um caso a fortalecer as razões da Corregedora Nacional de Justiça, Eliana Calmon, contra o corporativismo, que protege os bandidos de toga.
Apelei para o tribunal, com farta documentação negando a existência do ilícito, já que a grilagem de terras não só foi provada como o próprio judiciário paraense demitira, por justa causa, os serventuários de justiça que dela foram cúmplices no cartório de Altamira. O escândalo se tornara internacional e, por serem federais partes das terras usurpadas, o interesse da União deslocou o feito para a justiça federal, que acolheu as razões do Ministério Público Federal e anulou os registros fraudulentos no cartório de Altamira, decisão ainda pendente de recurso.
O grileiro morreu em maio de 2008. Nesse momento, vários dos meus recursos, que esgotavam os instrumentos de defesa do Código de Processo Civil, estavam sendo sucessivamente rejeitados. Mas ninguém se habilitou a substituir C. R. Almeida. Nem herdeiros nem sucessores. Sua advogada continuou a funcionar no processo, embora a morte do cliente cesse a vigência do contrato com o patrono. E assim se passaram dois anos sem qualquer manifestação de interesse pela causa por parte daqueles que podiam assumir o pólo ativo da ação, mas a desertaram.
A deserção foi reconhecida pelo juiz titular da 10ª vara criminal de Belém, onde o mesmo empreiteiro propusera uma ação penal contra mim, com base na extinta Lei de Imprensa. Passado o prazo regulamentar de 60 dias (e muitos outros 60 dias, até se completarem mais de dois anos), o juiz declarou minha inimputabilidade e extinguiu o processo, mandando-o para o seu destino: o arquivo (e, no futuro, a lata de lixo da história).
Na instância superior, os desembargadores se recusavam a reconhecer o direito, a verdade e a lei. Quando a apelação estava sendo apreciada e a votação estava empatada em um voto, a desembargadora Luzia Nadja do Nascimento a desempatou contra mim, selando a sorte desse recurso.
A magistrada não se considerou constrangida pelo fato de que seu marido, o procurador de justiçaSantino Nascimento, ex-chefe do Ministério Público do Estado, quando secretário de segurança pública, mandou tropa da Polícia Militar dar cobertura a uma manobra de afirmação de posse do grileiro sobre a área cobiçada. A cobertura indevida foi desfeita depois que a Polícia Federal interveio, obrigando a PM a sair do local.
Pior foi a desembargadora Maria Rita Xavier. Seu comportamento nos autos se revelou tão tendencioso que argüi sua suspeição. Ao invés de decidir de imediato sobre a exceção, ela deu sumiço à minha peça, que passei a procurar em vão. Não a despachou, não suspendeu a instrução processual e não decidiu se era ou não suspeita. Ou melhor: decidiu pelos fatos, pois continuou impávida à frente do processo.
Meus recursos continuaram a ser indeferidos ou ignorados, quando alertava a relatora e os desembargadores aos quais meus recursos foram submetidos sobre a ausência do pólo ativo da ação e de poderes para a atuação da ex-procuradora do morto, que, sem esses poderes, contra-arrazoava os recursos.
Finalmente foi dado prazo para a habilitação, não cumprido. E dado novo prazo, que, afinal, contra a letra da lei, permitiu aos herdeiros de C. R. Almeida dar andamento ao processo (e manter o desejo de ficar com as terras) para obter minha condenação. Nesse martírio não lutei contra uma parte, mas contra duas, incluindo a que devia ser arbitral.
Voltar a ela, de novo? Mas com que crença? Quando, quase 20 anos atrás, me apresentei voluntariamente em cartório, sem esperar pela citação do oficial de justiça (gesto que causou perplexidade no fórum, mas que repeti outras vezes) para me defender da primeira das 33 ações sucessivamente propostas contra mim (19 delas pelos donos do maior conglomerado de comunicação da Amazônia, afiliado à Rede Globo de Televisão), eu acreditava na justiça do meu Estado.
Continuo a crer em muitos dos seus integrantes. Mas não na estrutura de poder que nela funciona, conivente com a espoliação do patrimônio púbico por particulares como o voraz pirata fundiárioCecílio do Rego Almeida.
Por isso, decidi não mais recorrer. Se fui submetido a um processo político, que visa me destruir, como personagem incômodo para esses bandidos de toga e as quadrilhas de assalto ao bem coletivo do Pará, vou reagir a partir de agora politicamente, nos corretos limites da verdade e da prova dos fatos, que sempre nortearam meu jornalismo em quase meio século de existência.
Declaro nesta nota suspeito o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, que não tem condições de me proporcionar o devido processo legal, com o contraditório e a ampla defesa, que a Constituição do Brasil me confere, e decide a revelia e contra os fatos.
Se o tribunal quer minha cabeça, ofereço-a não para que a jogue fora, mas para que, a partir dela, as pessoas de bem reajam a esse cancro que há muitos anos vem minando a confiabilidade, a eficácia e a honorabilidade das instituições públicas no Pará e na Amazônia.
O efeito dessa decisão é que, finalmente, para regozijo dos meus perseguidores, deixarei de ser réu primário. Num país em que fichas de pessoas se tornam imundas pelo assalto aos cofres do erário, mas são limpas a muito poder e dinheiro, serei ficha suja por defender o que temos de mais valioso em nosso país e em nossa região.
Como já há outra ação cível – também de indenização – em fase de execução, a perda da primariedade me causará imensos transtornos. Mas, como no poema hindu, se alguém tem que queimar para que se rompam as chamas, que eu me queime.
Não pretendo o papel de herói (pobre do país que precisa dele, disse Bertolt Brecht pela boca deGalileu Galilei). Sou apenas um jornalista. Por isso, preciso, mais do que nunca, do apoio das pessoas de bem. Primeiro para divulgar essas iniqüidades, que cerceiam o livre direito de informar e ser informado, facilitando o trabalho dos que manipulam a opinião pública conforme seus interesses escusos.
Em segundo lugar, para arcar com o custo da indenização. Infelizmente, no Pará, chamar o grileiro de grileiro é crime, passível de punição. Se o guardião da lei é conivente, temos que apelar para o samba no qual Chico Buarque grita: chame o ladrão, chame o ladrão.
Quem quiser me ajudar pode depositar qualquer quantia na conta 22.108-2 da agência 3024-4 do Banco do Brasil, em nome do meu querido irmão Pedro Carlos de Faria Pinto, que é administrador de empresas e fiscal tributário, e assim administrará esse fundo. Essa conta estava em vias de fechamento, mas agora servirá para que se arque com esse constrangedor ônus de indenizar quem nos pilha e nos empobrece, graças à justiça.
Farei outros comunicados conforme as necessidades da campanha que ora se inicia. Espero contar com sugestões, opiniões e avaliações de todos que a ela se incorporarem. Convido-os a esta tarefa difícil e desgastante de não se acomodar na busca de um mundo melhor para todos nós.
Belém (PA), 14 de fevereiro de 2012
(Ecodebate, 17/02/2012) publicado pela IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.